A metodologia

O Projeto Atlântico foi desenvolvido entre 2024 e 2026 e teve como objetivos mapear valores e práticas de ética jornalística de seis países diferentes, compondo acervos específicos de códigos deontológicos, leis, instrumentos jurídicos e outros documentos e iniciativas que ajudam a configurar sistemas de autorregulação deontológica.

Para recolher esse volume, a equipe de pesquisa combinou diversas técnicas, como a coleta em bancos de dados públicos e particulares, visitas a entidades de classe e locais de exercício do jornalismo, realização de entrevistas, e consultas a especialistas.

Como projeto de cooperação internacional, envolveu pesquisadoras e pesquisadores de seis países dos continentes africano, americano e europeu: Angola, Brasil, Cabo Verde, Espanha, Moçambique e Portugal.

Sistemas deontológicos

Os sistemas deontológicos são formados por esforços diversos, como códigos e comissões de ética, manuais e guias de redação, regramentos e diplomas jurídicos, cursos de capacitação e iniciativas de profissionalização, órgãos judicantes, entre outros. Desta forma, serão feitos mapeamentos de documentos deontológicos, levantamentos bibliográficos e documentais da constituição da profissão jornalística em cada país. Será necessário também identificar, caracterizar e visitar órgãos de Estado, instâncias judicantes e entidades de formação ético-profissional, de julgamento e processamento de denúncias de falhas éticas. Conselhos de usuários, como os da Espanha, e colégios de jornalistas, como os de Portugal e outros, também se enquadram. Essa cartografia será complementada por entrevistas aprofundadas e grupos focais com atores relevantes para esses processos nos países, como jornalistas, editores, pesquisadores, especialistas, proprietários de veículos de mídia, sindicalistas e depoentes que auxiliem com seus testemunhos.

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi a instituição executora e a equipe brasileira contou ainda com colaboração da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Os demais países tiveram equipes para liderar coletas de dados naquelas localidades e para atuarem como facilitadoras nas missões de trabalho previstas no projeto.

Missões de trabalho

Pesquisadores brasileiros deslocaram-se para três países – Angola, Espanha e Portugal – em missões de trabalho. Essas missões foram ocasiões privilegiadas e necessárias para as coletas de dados. As missões permitiram ainda maior integração entre as equipes brasileira e locais, e serviram ainda para a oferta de oficinas de capacitação de jornalistas e gestores de mídia.

A coleta dos dados permitiu diagnósticos mais precisos das distintas realidades deontológicas dos jornalismos praticados nos seis países. Estudos anteriores já permitem identificar estágios diferentes de desenvolvimento dos sistemas autorregulatórios.

Diante da insuficiência de recursos para o deslocamento a todos os países do projeto, entrevistas adicionais foram feitas com especialistas em Cabo Verde e Moçambique. As entrevistas foram também publicadas no site de modo a ampliar sua visibilidade.

Biblioteca

Todos os documentos coletados que oferecerem dados para uma cartografia deontológica dos seis países foram armazenados neste website, em biblioteca especialmente criada e mantida para o projeto. Todos os conteúdos produzidos – como artigos científicos, artigos dirigidos a públicos genéricos, entre outros – também abastecem este site que funcionará como repositório permanente para registro e documentação da pesquisa.